Rua das Flores no Porto – a rua dos joalheiros, dos nobres e dos comerciantes

18.01.2026
Rua das Flores no Porto – a rua dos joalheiros, dos nobres e dos comerciantes
Rua das Flores – a rua dos joalheiros, dos nobres e dos comerciantes.
Há pouco mais de 500 anos, no Porto, por cima de um antigo carreiro paralelo ao rio da Vila, abriu-se um novo arruamento, ligando o movimentado largo de São Domingos à porta de Carros da muralha fernandina. Uma nova rua comercial denominada Rua de Santa Catarina das Flores. A rua foi traçada entre jardins e canteiros de flores, daí o nome "Rua das Flores".
A Rua das Flores, uma das ruas mais largas e direitas da cidade, serviu para melhorar o comércio com as localidades vizinhas. A rua foi pavimentada em 1542.

Como o terreno onde foi construída a Rua das Flores pertencia ao Cabido da Sé e ao bispo, decidiu-se que os edifícios aí construídos deveriam ostentar uma placa indicando claramente o proprietário do terreno. Assim, o Cabido da Catedral decidiu marcar os seus edifícios com figuras de São Miguel, e o Bispo D. Pedro da Costa com o símbolo heráldico, a roda de Santa Catarina.

Hoje, estes símbolos podem ser encontrados em alguns edifícios.

A abertura da Rua das Flores coincidiu com o fim do privilégio do Porto, que limitava a residência da nobreza aos limites da cidade. A rua tornou-se o lar de famílias nobres. Algumas dessas casas permanecem até hoje.

A Rua das Flores albergava as lojas mais luxuosas da cidade.

O lado sul da rua era tradicionalmente ocupado por lojas de malhas, casas de chá e café e lojas de ferragens.

Os joalheiros estabeleceram-se no lado norte da rua. No século XIX, auge da indústria joalheira, segundo diversas fontes, instalaram-se na Rua das Flores cerca de 40 joalheiros (ourives e prateiros).

Graças à abundância de oficinas e ourivesarias, a rua ficou conhecida como Rua das Ourivesarias (Rua dos Joalheiros) ou Rua Dourada.

A crise financeira mundial de 2008 e a subsequente pandemia levaram ao declínio da rua. Mas agora, a rua está gradualmente a recuperar o seu encanto.

No outono de 2025, foi inaugurado um centro cultural português único nos edifícios 66 a 70 da Rua das Flores. Diversas marcas portuguesas famosas abriram aqui as suas lojas e oficinas.
Um destes edifícios é inteiramente dedicado à joalharia e à filigrana, evocando uma atmosfera de Alice no País das Maravilhas. Aqui, os visitantes curiosos podem observar os joalheiros a trabalhar nas oficinas.






Alberga ainda um museu de arte joalharina portuguesa, bem como uma sala de aula onde os professores da Cindor, a principal escola de joalharia do país, realizam seminários e masterclasses. A mais bela joalharia de Portugal, a Joalharia do Carmo, também se encontra aqui.
Pode-se subir ao segundo e terceiro andares do edifício através de uma escadaria em espiral adornada com filigrana de ouro. Alguns elementos já foram concluídos e instalados, mas a obra ainda está em curso. Segundo os organizadores, serão necessários 95 anos para concluir a decoração.

Fico encantado por ver o renascimento da Rua das Flores, a rua dos joalheiros. Tal como um fio de ouro, nas mãos hábeis de um joalheiro, se transforma numa joalharia de filigrana.